VIAGEM A LIJIANG – YUNNAN (CHINA)

de 16 de Abril a 3 de Maio de 2002

Efectuámos muitas viagens nos últimos anos a diversas zonas de Yunnan para visitar vários projectos levados a cabo em benefício dos leprosos dessa Província da China. Yunnan é uma província considerada ainda muito pobre pelo facto de os seus habitantes serem constituídos na sua maioria por 26 minorias ainda muito afastadas do progresso e do desenvolvimento acelerado que se verifica actualmente nas grandes metrópoles do continente chinês.Só em Gung Ming, capital do Yunnan, pode ver-se um contraste nítido entre os edifícios citadinos e os hotéis de luxo (cinco estrelas) e a pobreza da periferia, bem como de outras zonas rurais da mesma província. Durante esta viagem, demo-nos conta de  que Guong Ming está a ser invadida de produtos importados de Cantão e de outras zonas onde as fábricas são muito sofisticadas. Os preços infelizmente não se ajustam às bolsas das minorias mas só às dos ricos empresários da cidade e dos que trabalham sob a administração pública.Em Yunnan, depois das novas directivas do governo central de Beijing, as grandes plantações verdejantes de tabaco que tínhamos visto nas nossas viagens foram substituídas por plantações de fruta e até são visíveis grandes extensões de vinhedos. É esse o motivo por que a população está a passar por um período de pobreza; até porque o governo, para obviar às despesas comportadas por estas novas culturas, teve que cortar nos orçamentos de vários outros serviços, como, por exemplo, os serviços de saúde e sobretudo os de prevenção da doença da lepra e de outras afins.Os pobres estão a ficar cada vez mais pobres e o fosso entre os ricos e os pobres é cada vez mais profundo, notando-se que a pobreza é cada vez mais visível, especialmente entre as minorias desta região.Actualmente, parece que está em acto o recurso aos grandes projectos governamentais que, todavia, não são financiados pelo governo. Parece-nos pouco provável que os financiamentos escassos que são dados para projectos de várias características por Ong (Organizações não governamentais) cheguem realmente às pessoas para as quais são destinados, precisamente devido a problemas actuais de cariz político e económico no interior da China.Ficámos com a impressão de que os pobres e as minorias são utilizados por interesses muito mais altos do que o que é pura e simplesmente dar uma ajuda concreta a um irmão em grande necessidade como pode ser, por exemplo, um leproso.Em Yunnan são muito escassas as fábricas de manufacturação e, para viver, é preciso cultivar terrenos áridos e montanhosos sem ajudas técnicas capazes de aliviar um pouco o trabalho pesado e perigoso representado pelos poucos terrenos cultiváveis que se encontram em lugares inóspitos.

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Após estas considerações genéricas, passemos à descrição concreta, se bem que sumária, da nossa viagem e dos encontros que tivemos. O cansaço e as fadigas foram recompensados pela alegria dos nossos caros irmãos leprosos e dos seus filhos. Desta vez, escolhemos a zona de Lijiang, que está situada aos pés das montanhas do Tibete. As belezas naturais deste local são indescritíveis: montanhas, rios, cascatas e até o Lago Luku formado a partir da cratera dum vulcão já extinto e que está a 3.500m de altura. Em certos pontos da nossa viagem, para além dos sustos causados pelas ribanceiras, parecia-nos estar nos Alpes italianos.Perguntar-vos-ei porquê precisamente Lijiang. Pois bem, relativamente a cada viagem que fazemos, procuramos ir a um lugar onde possamos visitar um certo número de leprosarias com as suas pequenas escolas. Trata-se de leprosarias para cujas despesas de construção ou reparação contribuímos. Recordemo-nos que Yunnan é uma província mais extensa que toda a Itália e que as leprosarias destas províncias de mais de 45 milhões de habitantes, são mais de 110 espalhadas por 16 distritos. Os novos casos de lepra são ainda numerosos e, mais do que nunca, seria necessário tratar da prevenção da doença. Infelizmente, muito caminho deve ser ainda feito para chegar a um sistema que funcione a preceito.Depois dum encontro no Centro de Prevenção de Doenças Infecciosas de Gung Ming, com os responsáveis da saúde, com a ajuda duma intérprete de Inglês, na medida em que connosco estava também um médico vindo de Bolonha para estudar um provável projecto para toda a província, foi possível ver uma médica e um professor médico, o doutor Wang Biao (que nós conhecemos desde que iniciámos o trabalho em Yunnan e com o qual colaborámos, desde há anos), para verificar os progressos no que diz respeito as nossas obras sociais nas respectivas leprosarias e o apoio técnico às escolas dos filhos dos leprosos. 

22 de Abril de 2002

Depois do encontro referido, partimos, em número de nove, entre os quais as Irs. Maria Pia Cantieri e Deolinda Dalposso e o Sr. Francisco Lio, técnico de nosso Centro de Macau. Depois de três horas de viagem, da parte da tarde, pudemos visitar a Leprosaria de Xiang Yun reconstruída pela AIFO, depois do terramoto e onde actualmente há 54 leprosos ajudados por seis camponeses. Todos ficaram contentes por nos receber e a todos e a cada um demos um contributo correspondente a 15 euros. 

23 de Abril de 2002

Um dia de viagem de Xiang Yun a Lijiang. Passámos por Dalí, onde pudemos encontrar-nos com o sacerdote católico desta diocese e onde estão a reparar a igreja, um monumento artístico chinês que certamente constituirá meta de peregrinação para muitos católicos chineses e não chineses. 

24 de Abril de 2002

Em Lijiang, encontrámo-nos com os responsáveis das três leprosarias de Wa Peng, que foram reconstruídas há dos anos mais ou menos. Ao todo, os leprosos nestas aldeias são 202. Nestes aldeamentos de leprosos, há 98 crianças. Numa das aldeias, há uma pequena escola, apoiada por nós, onde estudam 25 crianças. Pensamos ajudar nos estudos outras 22 crianças com uma nova escola. Outros estudam em escolas governamentais ou então já trabalham. Também aqui demos a todos auxílio em dinheiro e aos pequenos rebuçados e outros doces que nunca tinham provado. 

No mesmo dia, encontrámo-nos igualmente com os responsáveis de Wing Sen, uma leprosaria construída recentemente mas ainda não habitada por falta de água. Os leprosos são 63 e as crianças que com eles vivem são 15. Também a estes prometemos que faríamos funcionar uma escola em locais já existentes e antes ocupados por médicos das mesmas leprosarias. 

25 de Abril de 2002

Depois de algumas horas de viagem, chegámos a uma localidade onde estaria em projecto a construção da leprosaria de Ta Sien  com 22 leprosos, dos quais 5 são jovens.Sendo as montanhas altíssimas, só pudemos chegar onde existem as instalações dos médicos dos leprosos, que ficam a uma dezena de quilómetros da leprosaria. O dispensário dos médicos está a alguns quilómetros da povoação: uma aldeia da minoria Yi. Vieram ao nosso encontro três leprosos: dois anciãos e um jovem, que é filho dum deles. Falámos durante muito tempo, trocando impressões sobre a construção dum Centro não só para os leprosos (curados), mas também para a reabilitação dos outros que vivem em ambiente familiar e que são em número muito elevado; não só no que se refere à lepra, mas também a outras doenças infecciosas. Os médicos do Centro de Saúde do concelho de Ta Sien manifestaram o seu receio de que os leprosos não fossem aceites pela população em geral. Há ainda muitos tabus a respeito desta doença. As estafetas da leprosaria encarregaram-se de levar não só o dinheiro mas também todo os outros produtos que nós tínhamos trazido.Foi antes da nossa partida que se pensou que, em vez de fazer uma nova leprosaria, era preferível fazer obras de melhoramento na leprosaria já existente, já que a maioria dos hansenianos que vivem ainda lá são pessoas muito anciãs e que pouco a pouco vão desaparecendo. Está-se agora à espera da parte final do projecto, que será estudada por eles e posteriormente enviada para Macau. 

26 de Abril de 2002

Partimos de Linjiang para Ninlang e, ao longo do trajecto, fomos ver a leprosaria de Wing Seng, podendo assim encontrar-nos com todos os leprosos e os eus filhos, distribuindo entre eles o dinheiro trazido e os doces. Pessoalmente, pudemos visitar a nova leprosaria ainda por habitar e resolver na medida do possível o problema da água, de modo que os leprosos possam, o mais rapidamente possível, mudar para esta nova leprosaria mais bela e sobretudo mais cómoda.Visitámos em seguida a leprosaria de Ninlang, onde vivem 94 leprosos e onde 67 crianças estudam, há seis anos, na «nossa» escola. Este ano, um bom grupo terminará o curso elementar e alguns escolhidos poderão depois frequentar as escolas secundárias governamentais.Para além dos que moram na nova leprosaria, cuja estrutura é muito bela, muitíssimos vivem com as suas famílias nas montanhas áridas e secas em volta da leprosaria, mas os seus filhos frequentam a nossa escola. Por isso, surgiu o problema de como ajudar toda esta gente quase miserável com um outro projecto, que ainda não nos é claro, mas que está a ser estudado no terreno e cujos estudos nos serão depois enviados para serem avaliados. Os encontros nesta leprosaria foram comoventes. Uma das doentes, por exemplo, disse-nos que realmente não sabia como expressar com palavras o reconhecimento que guardava no coração e, por isso, limitou-se a chorar de alegria. Por outro lado, as crianças receberam-nos em duas filas e nós pudemos escutar os seus agradecimentos expressos em cânticos com vozes fortes e argentinas que nos comoveram.Nessa leprosaria, os doentes são ajudados por duas jovens que têm a responsabilidade de confeccionar as refeições.A todos distribuímos depois as prendas em dinheiro aos pais e em doces às crianças. Também aos professores demos dinheiro para comprar material didáctico e jogos para as crianças, enquanto em Gung Ming comprámos livros para ensinar às crianças trabalhos manuais. Mais do que nunca, nota-se a falta de ensino que existe naquelas terras  no que se refere a trabalhos manuais, capazes de preparar os jovens para a vida. 

27 de Abril de 2002

O dia 27 foi  para nós o início da viagem de regresso. Passámos pelo Lago Luku, onde tivemos a oportunidade de conhecer de perto a minoria Musuo, onde as mulheres são as chefes da família que vivem na zona. 

28 de Abril de 2002

Também o dia 28 foi um dia de viagem. E, passando por montes e vales, voltámos, agradecendo a Deus, a Gung Minng. 

30 de Abril de 2002

Neste dia, visitámos duas leprosarias que ficam a duas horas de Gung Ming e que foram reconstruídos por nós, da AIFO, e precisamente a Leprosaria de Ta Yen e a Leprosaria de Ton Cin. Nestas duas leprosarias, há 45 leprosos. Ficámos muito contentes pelas reparações que foram feitas. Encontrámos a funcionar as estruturas para a água para uso pessoal e também várias casas de banho com água aquecida por energia solar, bem como cozinhas funcionais. Cada doente tem o seu quarto bem ordenado e o governo, se bem que pobre, dá todos os meses a cada doente um subsídio suficiente para viver. Entre as leprosarias visitadas, foi o primeiro onde encontrámos uma sala para recreio, onde os hansenianos se reúnem para ver televisão e, por isso, o governo pensou também em montar uma antena parabólica, pois a leprosaria se encontra numa zona montanhosa.Foi a primeira vez em tantos anos de história de ajuda às leprosarias de Cantão e Yunnan que, ao nosso pedido de nos informarem do que é que precisavam, nos responderam que tinham tudo e que  nos agradeciam de tudo o que tínhamos feito por eles.Para além da viagem feita de comboio de Macau a Gung Ming de mais de 32 horas – ida e volta – fizemos, entre montes e vales, mais ou menos 1.400km. Nunca mais esqueceremos aqueles precipícios! Mas o bom Deus protegeu-nos e voltámos à base sãs e salvas.

As Irmãs Maria Pia e Deolinda posam com os médicos do Centro de Prevenção das Doenças Infecciosas da Província de Yunnan (China).

Nota-se um enorme contraste entre o progresso e a pobreza da maioria dos habitantes.


Jovens da minoria «Bai» que trabalham em estruturas governamentais no incremento do turismo da região.

Mulheres da minoria «I» que trabalham na própria aldeia.


Lago Luku, Lijiang, YunnanChina

As Irmãs Deolinda e Maria Pia, com um médio da leprosaria, com o Dr. Gazzoli da AIFO de Bolonha, e com o Dr. Wang Biao, do Centro de Prevenção de Doenças Infecciosas de Gung Ming.

A equipa de Macau e Gung Ming com o Dr. Gazzoli da AIFO posam a 3.500m de altitude.

As Irmãs Maria Pia e Deolinda com uma mãe pertencente a uma minoria, juntamente com os seus filhos. 


Visita à leprosaria de Xing Yun, construída com a ajuda da AIFO. 

É uma alegria rever os nossos amigos. Connosco em posa também o Dr. Gazzoli.


Encontro com os responsáveis das leprosarias de Wa Peng e Wing Sen.

Dois hansenianos da leprosaria de Ta Sien.

Com os responsáveis de Ta Sien estuda-se a possibilidade dum lugar onde construir uma nova leprosaria.


Leprosaria de Wing Seng construído pela Caritas de Macau, ainda não habitado por falta de água.

A Ir. Maria Pia procura resolver o problema da água com os responsáveis da leprosaria.

As Irmãs Maria Pia e Deolinda e o Dr. Wang posam com um grupo de hansenianos que em breve irão para a nova leprosaria.


Ning Lang: As crianças da nossa escola, que são filhos dos leprosos, acolhem em festa a nossa chegada.

São distribuídos doces e feitas recomendações.

Em posa com eles, com o Dr. Wang Bio e com os seus professores.


Visita à leprosaria de Ning Lang construída com a ajuda da Caritas de Macau.

Hansenianos da minoria «I» ... Não tenho palavras para dizer «obrigada»!... e desatou a chorar.

Em posa com as famílias dos hansenianos que vivem fora da leprosaria.


Leprosaria de Ta Yen reconstruída pela AIFO – Macau.

Em posa com um grupo de hansenianos numa sala de estar. 


Visita aos quartos de banho. Perto fica o furo de água e o painel de energia solar.

Em amena cavaqueira com os leprosos.


Leprosaria de Ton Cin com 15 doentes.

A AIFO – Macau ajudou na reconstrução das dependências, da estrada e dum depósito de água potável.