VOCÊ SABE O QUE É O NATAL?
POR TRÁS DOS SÍMBOLOSÉ necessário recuperar a verdade do Natal (João Paulo II, 1981)
A época natalícia é propícia a reflexões de vário género. As imagens repetitivas de árvores de Natal que se vestem de cores e enfeites incríveis, os fios dourados, as estrelas, os presépios, a figura do Pai Natal (por sinal, às vezes, bem ridículo), tudo isso desperta a atenção de toda a gente, sobretudo dos mais pequenos, invade, cada vez mais cedo, os espaços públicos, inunda os centros comerciais e até os lares. Trenós puxados a renas, mesas repletas de iguarias esquisitas, músicas tradicionais e até bailes (quem diria!) conferem a esta época do ano uma aura de encanto que, com frequência, faz perder o verdadeiro sentido do que supostamente se pretende celebrar.
O sentido do Natal, a sua razão de ser e a sua mensagem mal sobrevivem por detrás de tanta representação comercial e de tanta montra de superficialidade. Apesar de tudo, são precisamente esses símbolos que nos podem dar a possibilidade de ir para além da aparência externa. E a pergunta que se pode e deve fazer é tão simplesmente esta: qual a razão última de toda essa profusão de imagens e símbolos? Que mistério se esconde atrás de tanta azáfama e exterioridade?
Constitui hoje um verdadeiro desafio para todos voltarmos a olhar para a verdade do Natal, sob pena de corrermos o risco de fazer figuras tristes ao celebrar algo de que não sabemos o significado. Isso quer dizer que temos que descobrir o significado mais óbvio da palavra Natal. Natal é uma palavra que deriva do latim (dies natalis) e que significa nascimento. Mais exactamente, Natal é, antes de tudo, a festa do nascimento de Jesus Cristo. A origem é essa. Percebe-se então que, quer queiramos quer não, as celebrações do Natal sejam uma festa tipicamente cristã.
Em termos simples, dizer que o Natal é a celebração do nascimento de Jesus, é o mesmo que dizer que Deus se fez homem por amor dos homens. É necessário, pois, que o Natal recupere o seu sentido original e autêntico, para que se possa comunicar, neste período (e não só), a todos homens esta Boa Nova: Deus fez-se próximo de nós em Jesus Cristo, Salvador do Mundo. Nesse sentido, é fácil de entender que, sem Jesus Cristo, não há verdadeiramente Natal.
Nesse sentido, o primeiro Natal começou logo a ser celebrado nas vésperas do nascimento de Jesus, quando, segundo a Bíblia, os anjos anunciaram a Sua chegada.
As circunstâncias sociais e «políticas» prendem-se com um facto muito simples. Por essa altura, o imperador Augusto mandou fazer um recenseamento de toda a população do Império Romano. O motivo que estava na base dessa decisão era, por um lado, a pretensão de saber qual o número dos seus súbditos e, por outro lado, a vontade de tirar proveito económico desse facto através da implementação de novos impostos.
Cada pessoa, para o efeito, tinha de se registar na sua localidade. O Evangelho refere que José partiu de Nazaré, onde vivia, para Belém, para se recensear por ser natural dessa pequena povoação e, ao que parece, aparentado com a casa real. Levou consigo a sua esposa, Maria, que estava para ser mãe. Ao fim da viagem, chegou a hora de Maria dar à luz. Ora, como a cidade estava com os albergues e locais de acolhimento completamente cheios, eles, por compaixão do proprietário, tiveram de pernoitar numa gruta. Foi nessa região da Judeia e no tempo do rei Herodes que Jesus nasceu.
O Evangelho confirma também que um Anjo apareceu aos pastores que guardavam os seus rebanhos durante a noite e disse-lhes: «Hoje, na cidade de David, nasceu-vos um Salvador, que é o Messias, Senhor». Os pastores foram apressados, procurando o lugar indicado pelo Anjo, e lá encontraram Maria, José e o Menino. O Evangelho acrescenta que os pastores, ao ver o Menino, espalharam a boa nova.
Ao contrário do que poderíamos julgar, Jesus não teria nascido no inverno, mas sim na Primavera ou no Verão. Os pastores não guardariam os rebanhos nos montes no rigor do Inverno. Por isso, é legítimo deduzir que, com muita probabilidade, não terá nascido na noite de 24 para 25 de Dezembro, mas sim numa altura do ano em que o clima era mais ameno. Mas isto é um assunto que não tem a importância que talvez se lhe atribua. O que interessa realçar é que Deus, a partir dum determinado momento da história, inicia uma peregrinação terrena que só terminará na altura da Paixão e Morte.
Seja como for, a escolha do dia 25 de Dezembro foi inteligente e, no aspecto «estratégico», nada teve de arbitrário. Ao colocar o nascimento de Cristo no ambiente das festividades pagãs do solstício do Inverno, a Igreja Cristã tinha a esperança de as absorver e de as cristianizar. Ora, como se sabe, o 25 de Dezembro assinala o início da época do ano em que os dias começam a crescer. Era nessa data que em Roma se celebrava a festa do Sol invicto. Nada mais natural, pois, que as festividades pagãs tenham sido vitoriosamente assumidas, assimiladas e transformadas pela fé cristã. E assim o nascimento de Jesus transformou-se na celebração do autêntico Sol invicto que vem vencer as trevas do erro e do pecado.
Embora a celebração do Natal começasse com o nascimento de Jesus, só se tornou verdadeiramente popular 300 anos depois. No ano 350, o Papa Júlio I levou a efeito uma investigação pormenorizada e proclamou o dia 25 de Dezembro como data oficial e o Imperador Justiniano, em 529, declarou-o feriado nacional. Em finais do século IX, o Natal já era celebrado em toda a Europa. O período das festas alargou-se até à Epifania, ou seja vai desde 25 de Dezembro até 6 de Janeiro. O dia 6 de Janeiro é o chamado dia dos Reis Magos.
"O
Natal é muito mais
que uma data
ou um dia no calendário.
É uma jornada do espírito,
das trevas para a luz,
do caos para a paz
da separação
para a união do amor".
Karen Katafiasz
Nesta estação das luzes,
sente o brilho que emana
de todas as coisas.
E depois deixa que este esplendor
te aponte para a Luz íntima
do Natal que habita
no teu próprio coração".
Karen Katafiasz
"O Natal é a festa de Deus
para os sentidos.
Observa os seus
sinais luminosos, inala
os seus cheiros aromáticos.
prova os seus gostos variados,
sente o clima
de encantamento".
Karen Katafiasz

Simplifica as tuas celebrações.
Grande nem sempre
quer dizer melhor.
Nem sempre o que é caro é o mais valioso.
O que leva mais tempo
nem sempre é o que dura mais."
Karen Katafiasz
"Decora a tua casa com alegria,
mas também com um sentido
muito próprio.
Deixa que algo de ti mesmo
e da história da tua família
fique expresso nas decorações".
Karen Katafiasz
Pela importância de que se reveste, seja permitido insistir sobre o assunto. O Natal surge como o aniversário do nascimento de Jesus Cristo, Filho de Deus, sendo actualmente uma das festas cristãs e católicas mais importantes. Inicialmente, a Igreja não comemorava o Natal. Foi só em meados do século IV d.C. que se começou a festejar o nascimento do Menino Jesus. O Papa Júlio I fixou a data no dia 25 de Dezembro sobretudo por motivos teológicos e pastorais, já que se desconhece a verdadeira data do Seu nascimento.
O Natal é, assim, dedicado pelos cristãos a Cristo, que é o verdadeiro Sol de
Justiça (cf. Mt 17,2; Ap 1,16), e transformou-se numa das festividades centrais
da Igreja, equiparada desde cedo à Páscoa, embora seja claro que só tem
sentido à luz do mistério pascal. Ou seja, sem a ocorrência da Páscoa, o
próprio Jesus Cristo não teria permanecido, teria passado por completo e, por
isso, o Natal não existiria.
Sob influência franciscana, espalhou-se, a partir de 1233, o costume de, em toda a cristandade, se construírem presépios, já que estes reconstituíam a cena do nascimento de Jesus. A árvore de Natal surge no século XVI, sendo enfeitada com luzes, que são o símbolo de Cristo, Luz do Mundo. Uma outra tradição de Natal é a troca de presentes, que são dados pelo Pai Natal ou pelo Menino Jesus, dependendo da tradição de cada país.
«Apesar de todas estas tradições serem importantes (o Natal já nem pareceria Natal se não as cumpríssemos), a verdade é que não nos podemos esquecer que o verdadeiro significado de Natal prende-se com o nascimento de Cristo, que veio ao Mundo com um único propósito: o de justificar os nossos pecados através da sua própria morte. Deus enviou Jesus Cristo que, como um cordeiro sem pecados, veio ao mundo para limpar os pecados de toda a Humanidade através da Sua morte, para que um dia possamos alcançar a vida eterna».
Assim, não nos esqueçamos que o Natal não se resume a bonitas decorações e a presentes. A sua essência é a celebração do nascimento daquele que deu a Sua vida por nós, Jesus Cristo.
ADVENTO
NATAL
ADVENTO
1. O que é o Advento?
Chama-se Advento ao período de quatro semanas anteriores ao Natal. À letra, a palavra Advento, do latim, significa tanto vinda de alguém, como expectativa dessa vinda. No caso do Advento verdadeiro, que é o cristão, trata-se da espera de Jesus. Nessas semanas em particular, somos convidados a preparar a festa do Natal. Celebrar o Advento pressupõe, como condição prévia, que se tenha fé e esperança cristãs. É por isso que não se compreende muito bem como é que pode fazer festa neste período do ano quem se declara não crente.
O Advento começa com as vésperas do domingo mais próximo do dia 30 de Novembro e termina antes das vésperas do Natal. No tempo do Advento, que tem uma duração de quatro semanas, podem-se distinguir dois períodos. O primeiro estende-se do primeiro domingo do Advento até ao dia 16 de Dezembro. O segundo período, que vai de 17 até 24 de Dezembro, orienta-nos mais directamente para a preparação do Natal.
São quatro semanas e quatro domingos em que nos vamos preparando para a vinda do Senhor. Na primeira semana do Advento, é focada a vinda do Senhor no final dos tempos. A liturgia convida-nos a vigiar, mantendo uma especial atitude de conversão. A segunda semana convida-nos, por meio de João Baptista, a «preparar os caminhos do Senhor»; ou seja, a manter uma atitude de permanente conversão. A terceira semana preanuncia já a alegria messiânica, pois está cada vez mais próximo o dia da vinda do Senhor. Finalmente, a quarta semana fala-nos do advento do Filho de Deus ao mundo. Maria é figura central, e a sua espera é modelo e estímulo da nossa espera.
2. A coroa do Advento
Vê-se nas portas das casas e também, com cada vez mais frequência, junto do altar principal das igrejas. É uma coroa feita de ramos verdes de abeto ou mesmo cipreste, sinais de esperança e de vida. É enfeitada com quatro velas que, como parece óbvio, representam as quatro semanas de preparação do Advento e que vão sendo acesas progressivamente até ficarem todas acesas na quarta semana.
A coroa simboliza o triunfo (o triunfo de Cristo sobre o pecado e o mal). A sua forma circular indica a perfeição e a plenitude, na medida em que está a indicar a totalidade do tempo desde a criação do mundo até ao fim dos tempos, quando todas as coisas serão restauradas em Cristo. Esse triunfo tem a ver com o papel único de Cristo na história da salvação. No livro do Apocalipse Jesus Cristo aparece como soberano e tem uma coroa na cabeça, como o próprio Deus. É a coroa dos eleitos (cf. Ap.. 14,14).
3. O presépio

A palavra «presépio» significa «um lugar onde se recolhe o gado, curral, estábulo».Estamos certamente perante o símbolo mais significativo do Natal. No fundo, aqui está representado todo o mistério do nascimento de Jesus. Não havendo lugar para eles na hospedaria, José e Maria tiveram que se contentar com as instalações que lhes foram oferecidas num curral. Foi assim que, num estábulo, uma manjedoura veio a ser o primeiro berço de Deus no meio dos homens.
A representação do presépio foi popularizado a partir de S. Francisco de Assis no século XIII. Foi durante o inverno de 1223 que ele teve a ideia e a inspiração de construir uma cabana que se se parecia com um estábulo. Não faltou mesmo um boi e um jumento e uma manjedoura onde mandou deitar uma criança. Os populares foram convidados a fazer a parte dos pastores para representar a cena da adoração descrita pelo evangelista Lucas (cf. Lc 2,8-18).
A ideia de representar a cena da Encarnação espalhou-se rapidamente por toda o mundo cristão e bem depressa também as figuras humanas foram substituídas por figuras de barro, de madeira ou de outros materiais. Hoje, praticamente, não há nenhum lugar da terra onde não se conheça a tradição do presépio, embora haja que reconhecer que nem sempre as pessoas sabem o que está por detrás da representação. Com efeito, só aos olhos de quem tem fé (e, nomeadamente, fé cristã) estas representações têm sentido, porque elas se referem a um facto muito concreto que é o nascimento de Jesus Cristo.
O presépio tem o condão de despertar a atenção de quem o contempla. Se, em ambiente cristão, ele serve sobretudo para contemplar e aprofundar o mistério da Encarnação, realçando a a paz e a alegria, em ambientes não cristãos, é um motivo que despertar o interesse pela e para a evangelização. Ali está, sem sombra de dúvida, um símbolo que pode levar a que as pessoas (adultos e crianças) queiram saber o que realmente a cena representa e queiram saber um pouco mais sobre as figuras ali representadas.
4.
A
estrela
«A estrela que tinham visto no Oriente ia adiante deles,
até que, chegando ao lugar onde estava o Menino, parou.
Ao ver a estrela, sentiram grande alegria» (Mt 2,9-10).
Não vamos entrar em polémicas e questões não resolvidas. Não nos interessa sequer discutir se uma estrela pode ficar imóvel para indicar um determinado sítio. O interesse do evangelista Mateus não tem certamente nada a ver com a astronomia e as suas leis. Ele quer dizer-nos algo sobre o Menino e, para isso, utiliza imagens que lhe parecem adequadas. No caso do evangelista Mateus (que escreve sobretudo para cristãos provenientes do judaísmo e, por isso, habituados a manusear a Escritura), para descobrir o simbolismo da estrela, é necessário recorrer ao Antigo Testamento.
A estrela ascendente simboliza o princípio de uma vida que resplandece desde o seu nascimento. O oráculo de Balaão dizia: «Eu vejo, mas não para já; contemplo-o, mais ainda não próximo: uma estrela surge de Jacob e um ceptro se ergue de Israel» (cf. Nm 24,17). A verdadeira estrela, portanto, mais que um fenómeno natural, é o próprio Cristo que, «das alturas nos visita como sol nascente, para... dirigir os nossos passos no caminho da paz» (cf. Lc 1,78-79).
Nessa estrela ascendente, descobrimos Cristo ressuscitado que traz a salvação a todos os povos. Aquele Menino é a resposta às interrogações e à procura de toda a gente, é a luz que ilumina a escuridão da existência, dissipa as trevas do mundo, abre as portas ao futuro, não só aos judeus, mas também aos pagãos, representados pelos chamados Reis Magos.
5. O Pai Natal (História
resumida)
Este velho de barbas brancas e vestido de fato vermelho com orlas brancas, lendário distribuidor de prendas do Natal, um homem gorducho e bonacheirão, conduzindo pelo espaço um trenó puxado por oito renas carregado de brinquedos é porventura o símbolo mais conhecido hoje em todo o mundo. O Pai Natal ( também chamado S. Nicolau, St. Nick ou Santa Claus), assim reza a história, visita todas as casas na noite de Natal descendo pela chaminé para deixar presentes na árvore, peúgas ou sapatos de todas as crianças bem comportadas.
Embora esta imagem que nos é familiar do Pai Natal tenha sido introduzida nos Estados Unidos a partir da Holanda no século XVII, e em Inglaterra a partir da Alemanha no meio do século XIX, as suas raízes remontam ao antigo folclore europeu e influenciaram as celebrações do Natal no mundo inteiro. Infelizmente a difusão superficial deste símbolo esvaziou-o do seu sentido religioso. Se é mencionado aqui é pelo desejo de ver que este símbolo recupere o sentido histórico e religioso.
Nasceu como símbolo natalício em 1823. O Pai Natal original foi S. Nicolau, nascido em Pátara, na actual Turquia, pelo ano 270. Diz a tradição que era filho de pais muito ricos e que quanto conseguia obter o distribuía pelos pobres. S. Nicolau foi bispo de Mira na Ásia Menor do século IV, sendo referenciado por salvar marinheiros das tempestades, defender crianças e oferecer generosas prendas aos mais pobres.
Embora muitas das «histórias» relacionadas com S. Nicolau sejam de autenticidade duvidosa ( como entregar um saco de ouro deixando-o cair pela chaminé ) o que é certo é que a lenda correu a Europa dando-lhe um papel de tradicional «distribuidor» de prendas. O facto de distribuir prendas tornou-o muito popular junto das crianças. Mas o que interessa realçar é que esta figura está intimamente relacionada com o Natal cristão, na medida em que simboliza o dom de um Deus que envia o seu próprio Filho feito Menino para nos salvou com o dom do seu amor distribuído por todos os homens.
6.
Árvore de
Natal
A Árvore de Natal é um pinheiro ou abeto, enfeitado e iluminado, especialmente nas casas particulares, durante a quadra natalícia. Mas a tradição da Árvore de Natal tem raízes muito mais longínquas do que o próprio Natal. É que, antigamente as pessoas acreditavam que havia deuses que moravam nas árvores; pelo que lhes ofereciam ofertas e sacrifícios para obterem a fecundidade e boas colheitas.
Como em relação a outros usos e costumes, o cristianismo assumiu essas culturas e, no caso da árvore, atribuiu-lhe um valor simbólico relacionado com a festa do Natal do Senhor. Para o cristão, a árvore simboliza a vida do espírito (referência à árvore do conhecimento do bem e do mal que o Senhor fez brotar no paraíso terrestre: cf. Gn 2,9). Além disso, há também um simbolismo que se relaciona com a «árvore da cruz», em que Jesus foi crucificado, ressuscitando ao terceiro dia
Árvore de Natal como hoje a conhecemos
A primeira referência a uma «Árvore de Natal» surgiu no século XVI e foi nesta altura que ela se vulgarizou na Europa Central. Diz-se que terá sido Lutero (1483-1546) que, após um passeio pela floresta no Inverno, numa noite de céu limpo e de estrelas brilhantes, trouxe essa imagem à família sob a forma de Árvore de Natal, com uma estrela brilhante no topo e decorada com velas, porque, segundo ele, o céu devia ter estado assim no dia do nascimento do Menino Jesus.
«O costume começou a enraizar-se. Na Alemanha, as famílias, ricas e pobres, decoravam as suas árvores com frutos, doces e flores de papel (as flores vermelhas representavam o conhecimento e as brancas representavam a inocência). Isto permitiu que surgisse uma indústria de decorações de Natal, em que a Turíngia se especializou. Esta tradição espalhou-se por toda a Europa e chegou aos EUA aquando da guerra da independência pelas mãos dos soldados alemães. A tradição não se consolidou uniformemente dada a divergência de povos e culturas. Contudo, em 1856, a Casa Branca foi enfeitada com uma árvore de Natal e a tradição mantém-se desde 1923».
Árvore de Natal em Portugal
«Como o uso da árvore de Natal tem origem pagã, este predomina nos países nórdicos e no mundo anglo-saxónico. Nos países católicos, como Portugal, a tradição da árvore de Natal foi surgindo pouco a pouco ao lado dos já tradicionais presépios. Contudo, em Portugal, a aceitação da Árvore de Natal é recente quando comparada com os restantes países. Assim, entre nós, o presépio foi durante muito tempo a única decoração de Natal».
Até aos anos 50, a Árvore de Natal era até algo mal visto nas cidades; e nos campos era pura e simplesmente ignorada. Contudo, hoje em dia, a Árvore de Natal já faz parte da tradição natalícia portuguesa e já todos se renderam aos «pinheirinhos de Natal»! Aliás, chega-se ao ponto de construir na cidade de Lisboa a maior árvore de Natal da Europa.
PERSONAGENS DO NATAL
1. O Menino
Jesus
JESUS É A IMAGEM VISÍVEL DE DEUS INVISÍVEL.
Por vezes, o presépio apresenta apenas uma figura principal: o Menino Jesus envolto em faixas e
reclinado numa manjedoura. Não é nada de estranho, se pensarmos que é precisamente assim que a cena
é apresentada no Evangelho: «Não temais, pois vos anuncio uma grande alegria, que o é também para
todo o povo: Nasceu-vos hoje um Salvador, que é Cristo Senhor, na cidade de David. Este será o sinal:
encontrareis um menino envolto em faixas e deitado numa manjedoura» (cf. Lc 2,10-12).
Uma criança causa sempre um sentimento de ternura. E o Menino nos braços de sua Mãe, Maria, é precisamente essa imagem de ternura que Deus quer comunicar. O facto de Deus se mostrar sob a forma de um menino explica a alegria que a festa de Natal comunica às crianças; para além da árvore de Natal, do Pai Natal e das prendas que ele traz, naturalmente. Há uma misteriosa empatia entre as crianças e o Menino do presépio, mas é uma empatia que se comunica também aos adultos.
Não podemos esquecer-nos de que o Menino Jesus (que é o próprio Verbo de Deus feito um de nós) é o protagonista do presépio; sem Ele, não há nem presépio nem Natal. É a partir da manjedoura que Ele nos dá a boa nova de que também nós somos amados por Deus: «Deus amou de tal maneira o mundo que lhe enviou o seu Filho unigénito para que todo aquele que acredita nele não pereça, mas se salve», é a garantia que o evangelista João nos dá (cf. Jo 3,16).
Na ressurreição de Cristo, revela-se e completa-se o sentido do Natal: Deus fez-se homem para que os homens sejam filhos de Deus. É o mesmo evangelista João que o diz imediatamente antes da frase citada acima: «Assim como Moisés levantou a serpente no deserto, assim também tem de ser levantado o Filho do Homem, a fim de que todo aquele que nele crer tenha a vida eterna» (cf. Jo 3,14-15).
2. Maria, a Virgem Mãe
«Quanto a Maria, conservava todas estas coisas, ponderando-as em seu coração» (Lc 2,19).
«Quando eles (José e Maria) ali se encontravam, completaram-se os dias em que ela devia dar à luz. E teve o seu filho primogénito, que envolveu em panos e reclinou numa manjedoura, por não haver lugar para eles na hospedaria» (Lc 2,6-7). Esta cena empresta uma importância singular ao papel de Maria. Apesar da crescente paganização do Natal e apesar do esvaziamento de sentido, não é demais insistir no facto de se celebrar, antes de mais, a irrupção de Deus na história humana através da encarnação de Jesus no seio da Virgem Maria. Não é, pois, possível, celebrar o Natal sem nos encontrarmos com esta figura singular e indispensável. Do seu «sim» a Deus depende o conteúdo do mistério que se celebra no Natal.
Gabriel, o mensageiro de Deus, comunica a Maria uma nota de alegria e de felicidade, que se baseia num facto muito concreto: «Salve, ó cheia de graça, o Senhor está contigo» (cf. Lc 1,30). Ela, que é cheia de graça, não pode não viver uma paz e uma felicidade interiores que lhe advêm do facto de o Senhor estar com ela.
É certo que Natal é a festa do próprio Deus que se faz homem em Jesus Cristo. Mas é também festa daquela que, através do seu «sim» inicial e do seu contínuo «sim», se torna Mãe de Deus, porque Mãe de Jesus Cristo, que é Deus. A Virgem do Natal, que «conservava e ponderava todas estas coisas no seu coração», é a garantia de que ainda hoje podemos continuar a fazer festa, porque ela continua a dar-nos Jesus em todo o tempo e em todas as circunstâncias.
3. S. José
«Despertando do sono, José fez como lhe ordenou o anjo do Senhor e recebeu a sua esposa».
Durante o Advento (e não só), uma outra figura incontornável na vida de Jesus, Deus humanado, é S. José. Nem sempre se lhe reconhece a importância que tem e, na devoção litúrgica e popular, por vezes, passa para segundo plano, quando, na realidade, ele é o guardião do mistério de Deus. Mas, embora o ter sido escolhido para pai adoptivo de Jesus fosse uma espécie de honra, a verdade é que o preço a pagar por essa distinção foi bem elevado. José teve que aceitar, pela fé, a sua esposa que, «antes de coabitarem, tinha concebido por virtude do Espírito Santo». Não é fácil imaginar o «trauma» por que terá passado para poder chegar a uma decisão tão difícil. Mas a fé resolveu o que a sua capacidade simples de raciocínio talvez não conseguisse.
«As marrativas de S. Lucas (cf. 1,26-28; 2,1ss) e de S. Mateus (cf. 1,18-25) manifestam claramente que, por um lado, a maternidade de Maria não é obra de José, mas do Espírito Santo, e, por outro lado, que Jesus, por intermédio de José, é legalmente filho de David. José tem conhecimento, pelo anjo, da concepção virginal e recebe de Deus o encargo de adoptar, como pai legal, o filho de Maria, dando-lhe o nome de Jesus. A paternidade legal de José faz de Jesus filho de David e filho do povo eleito».
Depois da visita dos Magos, José recebe a delicada missão de interpretar os sinais da vontade de Deus. E bem depressa terá que tomar uma decisão para proteger Jesus, porque Herodes procura matar o Menino. Em sonhos, o anjo do Senhor disse-lhe: «Levanta-te, toma o Menino e a sua Mãe, foge para o Egipto e fica lá até que eu te avise, pois Herodes procurará o Menino para o matar» (cf. Mt 2,13-14). E, na realidade, José foge para o Egipto com o Menino e a sua Mãe.
De novo em sonho, José, no Egipto escuta a voz do anjo do Senhor e regressa à Palestina, fixando-se em Nazaré (cf. Mt 2,19s), onde ficará a morar com Jesus e Maria. Aí, Jesus crescerá em estatura, sabedoria e graça diante de Deus (cf. Lc 2,51). A partir desse momento, José nunca mais sairá do anonimato, não se sabendo sequer como e quando é que faleceu.
4. Os
pastores
«Quando os anjos se afastaram deles em direcção aos céus,
os pastores disseram uns para os outros: Vamos a Belém ver o que aconteceu» (cf. Lc 2,15).
Não foram nem os nobres da corte nem os sacerdotes do Templo os primeiros a receber a notícia sobre o nascimento de Jesus. Foram simples e rudes pastores que guardavam os seus rebanhos durante a noite nas redondezas. Pode parecer um facto estranho que assim tenha sido, mas só para quem lê distraído e sem profundidade os textos evangélicos. A imagem do pastor e do rebanho é precisamente a que é utilizada para descrever o relacionamento entre Deus e Israel, o seu povo eleito. Apesar de todos os seus defeitos e da pouca fama de que gozavam entre o povo, sobretudo entre os fariseus (que se consideravam os eleitos e os puros), os pastores simbolizam a vigilância e a disponibilidade, conseguindo descobrir e estar atentos àquilo que a outros passa despercebido.
No conjunto do presépio, também os pastores são figuras importantes. E não se trata de personagens mudas. Recebem a revelação e vão transmiti-la a quem estiver disposto a escutar as suas palavras. Os pastores, depois de terem visto tudo o que lhes tinha sido anunciado, tornaram-se, por sua vez, «representantes» do povo de Israel, na medida em que espalham a notícia ao seu redor (pode ler-se, a esse propósito, com muito proveito, o Evangelho de Lucas, no capítulo, a partir do versículo oitavo).
5. Os Reis Magos
A estrela que tinham visto no Oriente ia diante deles, até que,
chegando ao lugar onde estava o Menino, parou.
Ao verem a estrela, sentiram grande alegria, e, entrando em casa,
viram o Menino com Maria, sua Mãe (Mt 2,9b-11).
Segundo o
evangelista S. Mateus (Cf. 2,1-12), os Reis Magos são personagens que vieram do
Oriente, guiados por uma estrela, para adorar o Deus Menino, em Belém. Costumam
designar-se por «Reis», mas o texto evangélico não diz nem que eram reis nem
que eram três. A designação «Mago» era dada, entre os Orientais, à classe
dos sábios ou eruditos. Já o apelido de «Reis» foi-lhes atribuído em
virtude da aplicação que se lhes fez do Salmo 72 (71),10: «Os reis de
Társis e as ilhas pagar-lhe-ão tributo. Os reis de Sabá e de Seba
oferecer-lhe-ão presentes».
Ignora-se a providência dos Reis Magos, mas supõe-se
que fossem da Arábia, tendo em conta os dons oferecidos (ouro, incenso e
mirra). Quanto ao número três (talvez devido ao facto de terem oferecido três
géneros de presentes) e quanto aos nomes dos Magos, são tudo suposições sem
base histórica. Nada disso se encontra nos Evangelhos. Aliás, há que
acrescentar que foi uma tradição posterior aos Evangelhos que lhes atribuiu os
nomes de Baltasar, Gaspar e Melchior.
O dia de Reis celebra-se a 6 de Janeiro, por se ter
partido do suposto que foi neste dia que os Reis Magos chegaram finalmente junto
ao Menino Jesus. Mas também isso não passa de pura suposição. Muito mais
importante que os dados concretos que se possam recolher, é o significado
teológico da visita dos chamados Reis Magos (que é um episódio exclusivo do
evangelista S. Mateus).
A primeira lição a retirar de todo o episódio de Mateus é que a salvação trazida por Jesus destina-se a todos os povos, representados pelos Magos vindos do Oriente. Não é alheio à mensagem de Mateus o facto de pessoas «pagãs» reconhecerem o Messias antes daqueles que teriam obrigação de o reconhecer imediatamente (os judeus, incluindo Herodes e toda a sua corte).
Uma atitude importante realçada é também o facto de estes Reis Magos se terem prostrado em adoração diante do Menino, prestando-lhe culto. Reconhecem-no como soberano e oferecem-lhe uma adoração que só se atribuía a Deus. O que significa que o evangelista lança mão deste «estratagema» para dizer aos seus leitores que este Menino não é um menino qualquer.
Por seu lado, os dons oferecidos estão a sublinhar também essa condição especial do Menino que acaba de ser homenageado. O ouro, considerado o metal perfeito, é símbolo da imortalidade e da realeza; o incenso é símbolo da oração que que sobe até ao céu e, por isso, implicitamente, está a indicar que Aquele a quem é oferecido é equiparado à própria divindade; a mirra, utilizada para embalsamar os cadáveres, pode ser uma alusão ao facto de aquele Menino ser perfeitamente homem.
Com certeza que sabe que...
* O Natal não é apenas o dia 25 de Dezembro. A quadra natalícia estende-se por 12 dias que se situam entre o Natal, incluindo a noite de 24 de Dezembro, e o dia de Reis. Já era assim na Idade Média;
* Os postais de Natal surgiram por volta de 1844;
* Os pratos de Natal têm origem na Idade Média;
* Em alguns países são atribuídos nomes às renas que puxam o trenó do Pai Natal. Na tradição anglo-saxónica existem oito renas: Dasher, Dancer, Prancer, Vixen, Comet, Cupid, Donder e Blitze.
