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Ora bem, para entender a Páscoa cristã, é conveniente descobrir a sua
origem na festa judaica com o mesmo nome. O ritual desta festa judaica é
apresentado pelo livro bíblico do Êxodo (Ex 12,1-28). É a festa mais importante do
calendário judaico. Deste texto se pode concluir que a Páscoa compreende mais
do que a simples passagem do Mar Vermelho. Ela refere-se ao evento da libertação
no seu conjunto, compreendendo: a Ceia Pascal, a libertação do Egipto após
essa ceia, a passagem propriamente dita, a caminhada pelo deserto e a aliança
no monte Sinai (consubstanciada nos Dez Mandamentos dados por intermédio de
Moisés). Todos estes acontecimentos são lembrados como Páscoa e ficam a
constituir um marco histórico na história do povo hebreu. E assim todos os
anos, na noite de lua cheia da Primavera, os hebreus celebravam a Páscoa com a
imolação do cordeiro e com pães ázimos (sem fermento) e com cânticos
apropriados. Para ter uma noção mais exacta, recomenda-se a leitura do capítulo
12 do livro do Êxodo e também o capítulo 12 do livro do Deuteronómio.
Essa celebração ganhou uma nova dimensão com o passar do tempo. Em
outras ocasiões, quando eram
dominados por estrangeiros, os judeus celebravam a Páscoa lembrando o passado,
mas pensando no futuro, com esperança duma libertação definitiva. A celebração
da Páscoa compreendia assim três aspectos diferentes:
* o passado: o acontecimento histórico da libertação do Egipto em que Israel se tornou o Povo de Deus;
*
o presente: a
memória ritual do facto passado levava o israelita a ter consciência de ser
libertado por Javé (=Deus) sempre que era subjugado;
* o futuro: a
libertação do Egipto era símbolo duma definitiva libertação de toda a
escravidão.
Em poucas palavras, Páscoa significa essencialmente a passagem da escravidão para a
liberdade. E, nesse sentido, é também a maior festa do cristianismo, pois nela se comemora a Passagem de Cristo «deste mundo para o Pai», da
«morte para a vida», das «trevas para a luz». A Páscoa, embora calhando sempre ao domingo, é, no entanto, uma das festas móveis
do calendário cristão e o seu ponto alto é a Vigília Pascal. A Páscoa
acontece no primeiro domingo depois da lua cheia, nunca antes de 22 de Março
nem nunca depois de 25 de Abril.
Embora tenha a sua
origem no Pessach, quando os judeus comemoram a libertação dos hebreus
da escravidão no Egipto, a Páscoa cristã celebra a ressurreição
de Jesus Cristo. Jesus,
oferecendo o seu corpo e sangue, institui a nova Páscoa (Mt 26.1-2;17-20): a
libertação total do mal, do pecado e da morte, numa aliança de amor de Deus
com a humanidade. Por isso, a nova Páscoa não é uma libertação política do
poder dos romanos, como os judeus esperavam. No tempo de Jesus, poucos
entenderam que o Reino de Deus transcende o aspecto político, histórico e
geográfico.
CELEBRAR, PORÉM, A PÁSCOA DE JESUS SÓ COMO UM ACONTECIMENTO DO PASSADO NÃO
TEM SENTIDO SENÃO HISTÓRICO. É PRECISO REVIVER OS ACONTECIMENTOS DA SUA PAIXÃO,
MORTE E RESSURREIÇÃO APLICANDO-OS À PRÓPRIA VIDA. TAMBÉM O CRISTÃO TEM QUE
RENASCER PARA UMA VIDA NOVA.
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O tempo pascal compreende cinquenta dias (em grego =
«pentecostes»), vividos e celebrados como se fosse um só dia: «Os
cinquenta dias entre o Domingo da Ressurreição e o Domingo de
Pentecostes devem ser celebrados com alegria e júbilo, como se se
tratasse dum só e único dia festivo, como um grande domingo" (Normas
Universais do Ano Litúrgico, n 22). |
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O que é a Páscoa? |
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O Círio Pascal |
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Os Padres da Igreja |
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Catecismo da Igreja católica
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O dia da Páscoa cristã, que marca a ressurreição de Cristo,
de acordo com o Decreto do Papa Gregório XIII Inter Gravissimas,
de 24 de Fevereiro de 1582, é o primeiro domingo depois da Lua Cheia,
que ocorre no dia ou depois de 21 Março (equinócio de Outono no hemisfério
sul). É EM CRISTO, PELO SEU SANGUE, QUE TEMOS A REDENÇÃO, O PERDÃO DOS PECADOS, EM VIRTUDE DA RIQUEZA DA SUA GRAÇA (Ef. 1,7). |
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OS
SÍMBOLOS DA PÁSCOA
Nas últimas décadas, a humanidade sofreu grandes transformações. Para
isso contribuiu o capitalismo que transformou tudo (ou quase tudo) em fonte de
lucro. Mesmo as grandes festas religiosas não escaparam a esse fenómeno. Entre
elas, contam-se o Natal, a Páscoa, o Dia da Mãe, o Dia do Pai e até o Dia da
Criança. Com essa «profanação», essas festas foram perdendo pouco a pouco o seu
sentido original. A finalidade destas linhas é procurar restaurar um pouco o
sentido das coisas.
Os
ovos de Páscoa
Um dos símbolos que recordam o Domingo de Páscoa e Ressurreição é o
ovo, que significa nascimento, vida nova. Os ovos da Páscoa são famosos no
mundo inteiro, embora talvez pouca gente saiba bem porquê. Os mais comuns são os ovos de chocolate. Há uma tradição que
diz que o costume de oferecer ovos vem da China. Se é assim, então lembre-se
que, ao abrir o seu ovo de Páscoa, a paciência chinesa é responsável por
essa tradição. Seja como for, os ovos eram oferecidos como presente na festa da Primavera e
provavelmente como símbolo do desejo de nova vida. Na
antiguidade, também os egípcios e persas costumavam oferecer ovos aos amigos
por ocasião do começo da Primavera. Para os povos antigos o ovo simbolizava o
nascimento. Por isso, os persas acreditavam até que a Terra tinha tido origem
num ovo gigante.
Depois da morte de Jesus Cristo, os cristãos adoptaram e cristianizaram
esse costume como lembrança da ressurreição. Mas foi só no século XVIII que
a Igreja o aceitou oficialmente como símbolo da Páscoa.
Desde então, é
costume trocam-se ovos enfeitados no Domingo após a Semana Santa. Os
cristãos da Igreja primitiva do Oriente foram os primeiros a trocar entre si
ovos coloridos na Páscoa simbolizando a ressurreição, ou seja, o nascimento para uma
nova vida.
Seja como for, a Páscoa é e deve ser sobretudo a maior festa dos cristãos,
porque nela celebramos a ressurreição
de Jesus, a sua Paixão e Morte e a sua Vitória sobre a morte (cf. Rm 6,9). É
a festa da nova vida, a vida em Cristo ressuscitado. Por Cristo, tornamo-nos
participantes dessa nova vida (cf. Rm 6,5).
O chocolate
O facto de os ovos utilizados na Páscoa serem geralmente de chocolate
parece ter a sua razão de ser numa história
que tem origem nas civilizações dos Maias e Aztecas. Segundo essa história, o
chocolate era como algo sagrado, tal como o ouro. Segundo nos dizem alguns
estudiosos, os aztecas usá-lo-iam até como moeda de troca..
A princípio, ofereciam-se ovos verdadeiros mas enfeitados. Depois,
estes foram substituídos por ovos de chocolate. Há razões para explicar a
substituição de ovos naturais pelos de chocolate? Parece que sim. E uma
delas diz-nos que se deve ao facto de a Igreja proibir, durante a Quaresma, a
alimentação que incluísse ovos, carne e derivados de leite. Mas a verdade é que, independentemente
disso, o chocolate, unido à Páscoa, estará então a representar o facto de a Ressurreição
de Cristo ser a fonte da vida e do vigor.
O
coelho
Um outro dos símbolos da Páscoa é o coelho. À primeira vista, o
coelho não parece ter nada a ver com o sentido da quadra. A tradição do
«Coelho da Páscoa» foi importando para a América pelos imigrantes alemães em
meados do século XVIII. O motivo por que este animal está associado à Páscoa
será o facto de, segundo a tradição, o coelho ter o encargo de visitar as
crianças, escondendo os ovinhos para que elas os procurassem e encontrassem.
Mas trata-se duma tradição cujas origens não são lá muito certas.
Seja como for, sabe-se também que, no antigo Egipto, o coelho
simbolizava o nascimento, a vida. E, em muitos outros lugares, o coelho era símbolo
da fertilidade, uma vez que se multiplica duma forma rápida e inesgotável. Dá-se
o caso também que o coelho é um dos primeiros animais que sai das tocas, ao
chegar a Primavera, depois dum período de hibernação. Ora, como a Páscoa
acontece sempre nos primeiros dias da Primavera, trazendo nova vida e esperança
para toda a humanidade, daí talvez o associar-se esse animal à Páscoa.
Por isso, é fácil de compreender que o coelho tenha a ver com a vida,
com a abundância de vida. Daí que os cristãos tenham, também nesse caso,
procurado cristianizar esse costume e esse símbolo originalmente pagão
dando-lhe um novo significado. Assim, Cristo é essa Vida Nova, inesgotável e
abundante de que todos precisamos.
O fogo novo
Mas a liturgia do Sábado Santo e do Domingo da Páscoa está repleta de
outros símbolos. Como sabem os que costumam participar nas cerimónias
religiosas da Semana Santa, no Sábado Santo, a celebração tem início com a bênção
do fogo. O simbolismo do fogo tem a ver sobretudo com a purificação e a
destruição de tudo o que parece nocivo à agricultura. Mas o fogo é também símbolo
de vida, na medida em que proporciona aquecimento sem o qual não é possível a
vida (sabemos que não teríamos vida sem o Sol) e o fogo produz igualmente a
luz para guiar as pessoas no seu caminhar.
Ora bem, na liturgia, Cristo é esse fogo que veio limpar o mundo do
pecado, do desespero e do ódio, pregando e instaurando o Reino de Deus (Mt
3,11; 13,40; Lc 12,49; Hb 12,29). A ressurreição de Jesus é a prova de que Ele
destruiu, até a morte, o grande medo humano. O pecado foi vencido e nós
recebemos a graça de sermos filhos de Deus, templos de Deus (Gl 4,7; Rm 8,14).
A esperança dum mundo novo, justo e solidário, foi reacendida.
Ao simbolismo do fogo está associado também, e naturalmente, o Círio, que se acende precisamente na Vigília Pascal. Não é preciso ser muito
inteligente para perceber que este círio representa a luz de Cristo, que se
definiu também como «luz do mundo» (Lc 1,78-79; Jo 1,9): «Eu sou a luz do
mundo. Quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida» (Jo
8,12). Essa luz significa também a presença de Deus e pode ter uma relação
com a coluna luminosa do Êxodo que guiava o povo durante a noite, quando ele
fugia do exército dos egípcios (cf. Ex 14,20).
A Água
Qualquer pessoa é capaz de descobrir facilmente o simbolismo da água.
Na nossa vida diária, utilizamos esse bem precioso para matar a sede, para
purificar, para fazer de comer. Sabe-se também que, sem água, a vida não é
possível, sendo pois um elemento essencial para que as plantas e os animais
possam sobreviver. A água simboliza a pureza, a purificação e a
renovação e, por isso, por um lado, implica de alguma forma destruição do
que é mau e, por outro lado, é causa de salvação, como
aconteceu, por exemplo, na passagem do Mar Vermelho.
Se abrirmos o Evangelho de S. João, depressa descobriremos que Cristo se
apresenta como a verdadeira Água: «Quem beber da água que Eu lhe der, nunca
mais terá sede: a água que Eu lhe der há-de tornar-se nele fonte de água que
dá a vida eterna» (Jo 4,14). Cristo é a Água da vida que livra para sempre
do egoísmo e da maldade, como aconteceu com a Samaritana junto do poço de
Jacob, aí encontrando um verdadeiro sentido para a vida. Na perspectiva cristã,
Jesus, com a sua morte e ressurreição, destrói para sempre a morte, voltando
a dar à pessoa o verdadeiro sentido da vida.
Também não é por acaso que a água é o elemento escolhido para
significar a nova vida recebida no baptismo; juntamente com o fogo do Espírito.
Pois bem, pelo baptismo não é só o que é mau que é destruído; acontece também a
introdução numa vida nova. Essa vida é representada pela resposta do ser
humano à proposta de Deus que quer fazer do homem seu filho. E então também não
é por acaso que, na cerimónia do baptismo, após a bênção da água, se
realiza a renovação das promessas baptismais: «Pelo baptismo, fomos
sepultados com Ele (Cristo) na morte, para que, tal como Cristo foi ressuscitado
de entre os mortos pela glória do Pai, assim também nós caminhemos para uma
vida nova» (Rm 6,4).
O Cordeiro
O cordeiro é, sem dúvida, o símbolo mais antigo da Páscoa. No Antigo
Testamento, a partir da Ceia Pascal, que precedeu a saída dos hebreus da
escravidão do Egipto, a Páscoa era celebrada com pães ázimos (sem fermento)
e com o sacrifício de um cordeiro como recordação do grande feito de Deus a
favor do seu povo. De facto, é precisamente isso que se pode ler no livro bíblico
que fala da libertação ou saída: o Êxodo. Para entender como a ordem foi
dada a Moisés e a seu irmão Aarão, nada melhor que citar as próprias
palavras desse livro: «Aos dez do primeiro mês (o mês de Abib, também
designado por Nissan), tomará cada um deles um animal do rebanho por família;
um animal do rebanho por casa… O animal do rebanho para vós será sem
defeito, macho, de um ano, e tomá-lo-eis de entre os cordeiros ou de
entre os cabritos… Tomar-se-á do sangue e colocar-se-á sobre as duas
ombreiras e sobre o dintel da porta das casas em que ele se comer. Comer-se-á
a carne assada no forno com pães sem fermento e ervas amargas… E Eu
atravessarei a terra do Egipto naquela noite e ferirei todos os primogénitos na
terra do Egipto, desde os homens até aos animais, e contra todos os deuses do
Egipto farei justiça. Eu, o Senhor. O sangue será para vós um sinal nas casas
em que vós estais. Eu verei o sangue e passarei ao largo. E não haverá contra
vós nenhuma praga de extermínio. Esse dia será para vós um memorial e vós
haveis de festejá-lo como uma festa em honra do Senhor» (Cf. Ex. 12,1-14). Assim o
povo de Israel celebrava a libertação e a aliança de Deus com seu povo.
Era esta a festa da Páscoa que Jesus celebrava. E foi precisamente esta
festa que Jesus celebrou com os seus discípulos na noite da Quinta-Feira Santa.
Na Ceia Pascal dos judeus, imolava-se um cordeiro. No Novo Testamento, o
próprio Cristo é o Cordeiro de Deus sacrificado uma vez por todas para a salvação de toda a
humanidade: «Entrou uma só vez no Santuário, não com o sangue de carneiros
ou de vitelos, mas com o seu próprio sangue, tendo obtido uma redenção
eterna» (Hb 9,12). É a nova Aliança de Deus realizada
por intermédio do seu Filho, não apenas com um povo, mas com todos os povos.
É verdade, cerca de 1300
anos depois da Páscoa instituída por Moisés, Jesus entregou-se à morte como
o Cordeiro Pascal, fazendo como que personificar em si a figura do cordeiro de
que falara o profeta Isaías: «O Senhor carregou sobre ele todos os nossos
crimes. Foi maltratado, mas humilhou-se e não abriu a boca, como um cordeiro
que é levado ao matadouro» (Is 53,6b-7a). Esta foi a mais importante de todas
as comemorações da Páscoa. Houve trevas sobre a terra, as pedras fenderam-se,
os sepulcros abriram-se e os mortos ressuscitaram (cf. Mt 27, 52-53).
E o mais importante da Páscoa é que Jesus ressuscitou dos mortos, vencendo a morte. Ele não
ficou na sepultura, mas saiu trazendo as chaves do inferno e da morte: «Pela
morte Ele destruiu aquele que tinha o poder da morte, isto é, o diabo» (cf.
Hb2,14). É na Páscoa que recebemos a nossa maior vitória como filhos de Deus!
Óleos Santos
Na antiguidade, os lutadores e guerreiros ungiam-se com óleo, pois acreditavam que essa substância lhes dava força. No caso do azeite de oliveira, era um dos principais produtos da Terra Prometida e, portanto, era símbolo de riqueza e abundância. Servia - como, de resto, serve - para alimentar, para iluminar, para curar feridas e para fazer perfumes e ungir sacerdotes e reis.
Nada mais natural, pois, que seja também um elemento utilizado como símbolo no tempo da Páscoa. Para nós, cristãos, os óleos simbolizam a força do Espírito Santo, que nos dá energia para vivermos o Evangelho de Jesus Cristo. Como símbolo pascal, o óleo é usado no Sacramento da Confirmação ou Crisma. Este sacramento é recebido para confirmar a fé recebida no Baptismo. Ao receber o Sacramento da Confirmação, o cristão é fortalecido com o vigor do Espírito Santo e fica habilitado, digamos assim, a ser «soldado de Cristo» para lutar pela difusão da sua mensagem ao seu redor e no mundo.
O óleo é usado também em outros dois sacramentos: a Unção dos Enfermos e a Ordem. É na Quinta Feira Santa que se celebra a missa do Crisma, presidida pelo bispo da Diocese, na qual, dum modo geral, participa a grande parte dos presbíteros. O óleo, misturado com perfumes, simboliza o dom do Espírito.
Pão e vinho
O pão e o vinho, sobretudo na antiguidade, foram a comida e bebida mais comum para muitos povos. Era essa também a base da alimentação na terra de Jesus. Por isso, nada mais natural que Ele, ao instituir a Eucaristia durante a Ceia Pascal, se servisse dos alimentos mais comuns para simbolizar a sua presença constante como sustento espiritual para as pessoas que acreditam nele. Assim, o pão é um elemento simbólico que está sempre presente. Segundo os relatos da Última Ceia, o pão simboliza e transforma-se no corpo de Jesus: «Enquanto comiam, Jesus tomou o pão e, depois de pronunciar a bênção, partiu-o e deu-o aos seus discípulos dizendo: "Tomai e comei: Isto é o meu corpo"» (Mt 26,26; Mc 14,22; Lc 22,19; 1Cor 11,23-24).
Jesus fez o mesmo gesto de bênção em relação ao cálice com vinho: «Em seguida, tomou um cálice, deu graças e entregou-o aos discípulos dizendo: "Bebei dele todos. Porque este é o meu sangue, sangue da Aliança, que vai ser derramado por muitos, para perdão dos pecados"» (Mt 26,27-28; Mc 14,23-24; Lc 22,20; 1Cor 11,25). O evangelista S. Lucas faz referência a este gesto em outra ocasião. Com efeito, após a ressurreição, durante uma breve ceia com os dois discípulos de Emaús, Jesus repete o gesto de partir o pão e então os discípulos, que até então ainda O não tinham reconhecido, reconhecem-no imediatamente (cf. Lc 24,28-31). .
A Páscoa não
calha sempre no
mesmo dia
Como ficou dito acima, a Páscoa é a principal festa do judaismo, que comemora a libertação da escravidão a que os judeus estavam sujeitos no Egipto. Essa libertação é assinalada pela passagem (que é o que significa à letra a palavra «Páscoa)» do Mar Vermelho. É sabido que a Páscoa dos judeus é comemorada sempre na primeira Lua Cheia da Primavera. Ora, segundo esse calendário, trata-se naturalmente duma data móvel. Nessa linha e, em termos mais concretos, esse acontecimento ocorre entre o dia 22 de Março e o dia 24 de Abril. É essa também a tradição seguida pela Páscoa cristã.
Seja como for, sendo a Páscoa judaica a festa da libertação do Egipto, com o decorrer do tempo, mesmo na pespectiva judaica, ela vai-se tornando também anúncio da libertação futura, dum modo particular na mentalidade dos profetas: «Sobe a um monte alto, arauto de Sião. Grita com voz forte, arauto de Jerusalém. Levanta a voz sem receio e diz às cidades de Judá: "Aí está o vosso Deus! Olhai, o Senhor Deus vem com a força do seu braço dominador. Olhai, vem com o preço da sua vitória e com a recompensa antecipada» (cf. Is 40,9-10).
A Páscoa cristã
celebra a ressurreição de Jesus precisamente por ocasião da data da primeira
Lua Nova da Primavera e é através da memória do sacrifício de Jesus na cruz,
como cordeiro imaculado, que se celebra a «passagem» da morte para a vida, da
escravidão para a liberdade vivida em Deus. A Páscoa é então sobretudo a
vitória de Jesus sobre a morte pela ressurreição.
A cruz plantada na vida
Para além de outros símbolos, não se pode esquecer um
dos que identificam imediatamente o cristão. A cruz, instrumento de suplício
de Jesus, passou a ser o símbolo do cristianismo. A cruz lembra, é verdade, a
forma como Jesus morreu, mas também que Ele venceu a morte e, ressuscitado,
passou a viver no Reino da justiça e da paz, para o qual toda a humanidade é convidada.
É certo que a morte na cruz não foi um tipo de condenação específico reservado a Jesus, pois, naquele tempo, era um castigo comum entre os romanos, que então dominavam a Palestina. Mas, graças à sua ressurreição, a cruz de Jesus passou a ser um símbolo, não de derrota e aniquilamento, mas sim de vitória. Jesus, apesar de ser Filho de Deus, morreu da forma mais hodionda e horrorosa, mas dessa cruz nasceu a redenção e a certeza de que o homem, para Deus, deve ser muito importante, para Jesus se sujeitar ao mais vergonhoso dos castigos para lhe demonstrar que, por ele, homem, tudo estava disposto a suportar. É o que diz claramente o apóstolo S. Paulo: «A nós, que outrora andávamos afastados e éramos inimigos... agora Cristo reconciliou-nos no seu corpo carnal, pela sua morte, para nos apresentar santos, imaculados e irrepreensíveis dante de Deus» (cf. Cl 1,21-22).